Trabalhadores em transportes seguem orientações das centrais e mantêm estado de greve

Mesmo com o recuo do governo golpista e ilegítimo de Michel Temer (PMDB) de adiar a votação da reforma da Previdência para o dia 19 de fevereiro de 2018, a CNTTL orienta que todos os seus modais de transporte filiados: aéreo, portuário, rodoviário, viário, cargas, moto-táxi, ferroviário e metroviário mantenham ESTADO DE GREVE permanente.

O presidente da CNTTL, Paulo João Eustasia, o Paulinho, alerta que se a PEC da reforma da Previdência (287/2016)  voltar à pauta de votação, a paralisação será inevitável. “Nossas futuras gerações vão nos cobrar, caso a gente não faça nada para barrar esse retrocesso. Portanto, os todos os exercícios de guerra devem ser mantidos”,  afirma Paulinho.

Para passar na Câmara dos Deputados, são necessários 308 votos, número ainda não alcançado nas contas do próprio governo. Entretanto, para pressionar os deputados, Temer negocia cargos em ministérios, aprovação de projetos e verbas parlamentares.

A CUT  e as demais centrais sindicais seguem firmes na luta contra a reforma da Previdência e continuarão a mobilizar toda a população brasileira. “O recado é claro: se votar, o transporte e o Brasil vai parar!”, finaliza Paulinho.

Sobre a Reforma da Previdência golpista

As mudanças propostas por Temer na Previdência brasileira vão prejudicar especialmente os trabalhadores e as trabalhadoras mais pobres, como os rurais assalariados e os agricultores familiares, o pessoal da construção civil e serviços, entre outros, que vão sofrer mais porque são vítimas da alta rotatividade e do contrato intermitente de trabalho, aprovado na Reforma Trabalhista que entrou em vigor no último dia 11.

A nova proposta de Reforma da Previdência prevê que as idades mínimas para aposentadoria serão de 62 anos para mulheres e de 65 anos para homens da iniciativa privada, servidores e assalariados rurais. A exceção são os professores e as professoras que poderão se aposentar aos 60 anos – idade vale para ambos os sexos; e os policiais (55 anos também para ambos os sexos).

O tempo mínimo de contribuição previsto no texto é de 15 anos para os trabalhadores do regime geral (INSS) e 25 anos para os servidores públicos.

O trabalhador da iniciativa privada que contribuir durante 15 anos terá direito a 60% do valor do benefício, que é a média da soma de todos os salários, desde o primeiro, em geral mais baixo. Se estiver vivo e contribuir durante 25 anos, receberá somente 65% do valor do benefício.

No caso dos servidores públicos, eles receberão 70% do benefício se contribuírem por 25 anos. Quem contribuir por 30 anos receberá 77,5% do benefício. Nos dois regimes, os trabalhadores que quiserem receber 100% do benefício terão de contribuir por 40 anos. Além disso, terão de ter a idade mínima 65 anos (homens) e 62 (mulheres).

No caso dos trabalhadores rurais, a proposta é ainda mais cruel. A nova reforma Previdenciária iguala as regras dos trabalhadores assalariados rurais aos urbanos e ainda exige dos agricultores familiares (pequenos produtores) uma contribuição mensal e individual, o que praticamente acaba com o sistema de proteção diferenciado dos rurais.

 

Fonte: CNTTL

Plenária Estatutária avalia movimento sindical e busca fôlego para o enfrentamento

Como despertar o trabalhador e motivá-lo para, junto ao movimento sindical, fazer o enfrentamento dos perversos e múltiplos pacotes de maldades ofertados pelo governo Temer: este foi um dos desafios discutidos durante a Plenária Estatutária da Federação Interestadual dos Trabalhadores Ferroviários da CUT (FITF/CNTTL/CUT), realizada hoje (15 de dezembro) em Tubarão (SC). Além da Plenária Estatutária, também foi realizada a Plenária do Conselho de Representantes.

Num primeiro momento, a Plenária do Conselho de Representantes das entidades sindicais tratou das questões financeiras e patrimoniais, com o detalhamento da atual situação financeira da instituição e o orçamento para o exercício de 2018. As deliberações da diretoria executiva da federação foram aprovadas.

Em seguida deu-se início à Plenária Estatutária, onde foi feita uma análise das resoluções da plenária anterior, com apontamentos para as políticas que serão postas em prática em 2018. A penosa situação política e econômica pela qual passa o país foi avaliada, quando constatou-se o caráter volátil e mutante das análises políticas feitas na atualidade, visto que qualquer tentativa de prever o cenário para os próximos meses perde a validade em poucos dias. “Por isto a dificuldade de desenvolvermos estratégias para enfrentar o governo atual e os grandes empresários, que estão paulatinamente destruindo nossos direitos”, observou Jerônimo Miranda Netto, presidente da FITF.

Outro ponto importante abordado durante a plenária foi a estratégia que deverá ser adotada para o sustento da estrutura sindical, após o fim do imposto sindical obrigatório. “Sempre fomos contra o imposto sindical e agora deveremos executar alguns planos para manter nossa estrutura”, informa o presidente da FITF.

Lúcio Lima, da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Transportes e Logística, lembrou que hoje um terço das riquezas de nosso país está nas mãos de 1% da população. “São tempos difíceis para os trabalhadores. Governantes eleitos legitimamente não terminam o mandato; trabalhadores são presos sem motivo; medidas contra os trabalhadores cada vez mais duras, severas. Que permaneçamos mobilizados. Ainda vem muito ataque contra os trabalhadores por aí. Portanto, a importância de ganhar espaço, marcar território com ações pontuais”, apontou Lúcio.

O posicionamento da FITF diante da conjuntura nacional também foi abordado na plenária. Com o pior ataque aos direitos dos trabalhadores da história do país, os ferroviários passam por momento delicado para efetivar a mobilização contra governo e elite. “Já fizemos bastante, mas é necessário fazer muito mais. Precisamos discutir com as categorias, chamar a responsabilidade. A federação precisa trabalhar mais o lado político, não só o trabalhista. Mostrar o caminho aos sindicalistas. Retirá-los do marasmo”, diz Jerônimo.

A necessidade de organização e de presença constante nas bases foi observada, e um dos caminhos para que finalmente ocorra um “despertar” dos trabalhadores é mostrá-los o que tínhamos, o que temos agora e para onde estamos indo, com as privatizações em massa sendo a última etapa do golpe.

O presidente da FITF concluiu a plenária lembrando que a onda reacionária e fascista que assombra o país não é nenhuma novidade e deve, mais do que nunca, ser severamente combatida. “O fascismo nunca morreu. Mas agora está ainda mais forte. Portanto, precisamos combatê-lo. Que todos os participantes desta plenária retornem aos seus sindicatos e discutam com a base sobre o projeto dos fascistas e as formas de combatê-lo. Não temos outra saída. Trabalhadores, uní- vos”, conclui Jerônimo.

Também estiveram presentes ao evento, como convidados, representantes do Sindicato dos Metroviários de Pernambuco.

 

VALEC: homologado Acordo Coletivo de Trabalho parcial

Em audiência de conciliação realizada ontem, dia 05 de dezembro, no Tribunal Superior do Trabalho (TST), em Brasília/DF, entre Federação Interestadual dos Trabalhadores Ferroviários (FITF) e VALEC Engenharia, Construções e Ferrovias S.A., foi homologado o acordo do dissídio coletivo.
O Acordo Coletivo de Trabalho homologado tem caráter PARCIAL, ou seja, estão excluídos a cláusula de reajuste salarial e os benefícios reajustados com o mesmo índice aplicável ao salário.
De acordo com o presidente da Federação, Jerônimo Miranda Netto, o reajuste salarial oferecido pela empresa continua sendo de 0%.  “Além da crescente retirada de direitos executada por este governo, ainda não nos proporcionam um mínimo de reajuste”, lamenta.
No entanto, pode-se destacar um avanço nas negociações no que diz respeito às cláusulas SOCIAIS. Neste acordo parcial, nenhum item existente na Reforma Trabalhista foi aplicado e todas as cláusulas foram mantidas.
O julgamento da cláusula econômica será realizado no próximo ano. No entanto, não há expectativa ou previsão de data.