FITF/CNTTL/CUT e sindicatos se reúnem na ANTT

Em 16 de maio, o Coordenador Geral da Federação Interestadual dos Trabalhadores Ferroviários da CUT (FITF/CNTTL/CUT), Jerônimo Miranda Netto; Paulino Moura, do Sindicato dos Ferroviários e Metroviários da Bahia e Sergipe; Valmir de Lemos, do Sindicato dos Trabalhadores Ferroviários da Central do Brasil; e José Cleófas, do Sindicato dos Trabalhadores Ferroviários da Paraíba, estiveram reunidos com José Luiz de Oliveira, gerente de Controle e Fiscalização de Infraestrutura e Serviços, e Luiz Alexandrino, técnico de Regulação da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), em Brasília. Na audiência, os presentes discorreram sobre a situação das ferrovias de cargas na Bahia e Sergipe e em outros Estados da federação.

No que diz respeito à ferrovia nos Estados da Bahia e Sergipe, informações foram solicitadas, acerca do inquérito nº 1.35.000.000715/2018-29, do Ministério Público do Trabalho de Minas Gerais, Procuradoria da República em Minas Gerais – PRMG 90585/2018, contra a Ferrovia Centro-Atlântica S/A (FCA/VLI), por postergar a manutenção dos trechos, o que vem ocasionando diversos acidentes ferroviários.

Na oportunidade, também foram discutidas as Cartas nº 129/CG/SINDIFERRO/17 e 043/CG/SINDIFERRO/17, que a ANTT respondeu através dos ofícios n º 1 4 1 / 2 0 1 7 / G E C O F / S U F E R e 063/2018/GECOF/SUFER. Quanto às diversas irregularidades relacionadas à falta de manutenção do trecho ferroviário, que resultou em autuação (Auto de Infração ANTT nº 034/2017/COFER/URMG), pelo descumprimento sistemático do Contrato de Concessão (Item 9.1, Cláusula IX, Incisos IX e XIV), combinado com a Resolução ANTT nº 2748/08, foi recomendado a abertura de um Processo Administrativo Simplificado – PAS. Após as denúncias acima relatadas, a agência fez várias inspeções nos trechos ferroviários da Bahia e Minas Gerais para constatar os fatos narrados pela entidade sindical.

 

Fonte: SINDIFERRO

O custo da manutenção é substituído pelas multas

A gestão da FCA/VLI posterga a manutenção da via permanente e as inspeções feitas pela ANTT, órgão que produz multas milionárias direcionadas à empresa, que não são pagas e recorridas na justiça, o que acaba levando anos para uma conclusão.

Enquanto isso, a malha ferroviária nos Estados da Bahia e Sergipe continua sem receber o investimento necessário e contratual, provocando a cada dia dano irreparável ao patrimônio público federal, bem como a falta de segurança do ferroviário que ali trabalha. Em tese, a empresa não tem interesse em operar a malha, visto que, além da manutenção postergada, as demissões seletivas não param de acontecer, o que vem deixando a categoria apreensiva pela possibilidade de perder o emprego.

A situação se agrava com o recente roubo de trilhos ocorrido no trecho entre Alagoinhas/BA e Propriá/SE. Com atuação das polícias civil e rodoviária, foi possível apreender os objetos e os ladrões. Mas o trecho está completamente abandonado, inclusive as estações ferroviárias, sendo a mais chocante a Estação Ferroviária de Aracaju/SE, destruída em toda sua extensão.

 

Fonte: SINDIFERRO

[ARTIGO]: A saída para a crise no Brasil

Por José Álvaro de Lima Cardoso, economista do DIEESE

A economia nacional está atravessando uma das mais graves crises de sua história. Em relação à 2015, em 2019 o PIB é 5,1% inferior, os investimentos são menores em 23,4% e o consumo das famílias em 5,3%. Entre 2011 e 2018, tivemos um ritmo médio de crescimento de 0,58% ao ano e, tudo indica que essa será a pior década da história em termos de crescimento econômico, superando as décadas perdidas de 1980 e 1990.

Neste quadro de estagnação o desemprego segue nas alturas. A taxa de desemprego, segundo o IBGE, subiu para 12,7% no primeiro trimestre do ano, atingindo 13,4 milhões de brasileiros. Além da taxa de desemprego ser muito alta, 5,2 milhões de desempregados, quase 40% do total, procuram emprego há mais de 1 ano. Daquele total, 3,3 milhões de pessoas (25%), estão desocupadas há dois anos ou mais. Alguns estados apresentam taxas impressionantes, como Amapá (20,2%), Bahia (18,3%) e Acre (18%).

No outro extremo, estados com taxas bem inferiores, como Santa Catarina (7,2%), mas que apresentam grande elevação do indicador nos anos recentes, o que mostra o agravamento do problema. Só para termos ideia do drama, em 2014, quando o Brasil apresentou as menores taxas de desemprego da história, a taxa em Santa Catarina estava em 2,8%, uma situação de pleno emprego, na prática. Em relação a 2014, o crescimento da taxa de desemprego em Santa Catarina, em 2019, é de 157%.

Entre os jovens o desemprego é assustador. A taxa entre brasileiros que têm entre 18 a 24 anos ficou em 27,3% no primeiro trimestre, o dobro da taxa média nacional, de 12,7%. Podemos imaginar o que significa para um jovem trabalhador brasileiro, que possivelmente está batalhando para obter o seu primeiro emprego, encarar um mercado de trabalho onde mais de um em quatro trabalhadores não consegue colocação, e num ambiente no qual o pouco que existe de Estado social, e os direitos trabalhistas, estão sendo rapidamente desmontados.

O quadro do desemprego no país é decorrência da crise econômica, mas é principalmente o saldo acumulado nos três anos de política do golpe no Brasil (a própria gravidade da crise é fruto do golpe). O processo golpista conduziu o país, a uma crise financeira e econômica muito grave e a um horizonte econômico e social simplesmente devastador. O que estamos presenciando nos últimos anos é um desmonte do Estado jamais visto no país. Neste momento, as frações golpistas estão em feroz guerra interna, fator que agrava o quadro político e que, somado ao quadro econômico, torna muito difícil a permanência de Bolsonaro na presidência. Ademais, o agravamento da crise, e as dificuldades para aprovar a PEC de destruição da previdência no Congresso, vem corroendo a relativa unidade em relação ao programa econômico de guerra contra o povo (sob a condução de Paulo Guedes). Unidade que havia no início do governo, entre os grupos que tomaram o poder de assalto em 2016, mesmo não sendo Bolsonaro o candidato preferido desses segmentos.

Do ponto de vista da maioria da população, a fórmula neoliberal não funcionou em nenhum lugar do mundo onde foi implantada. O crescimento estagnou, o desemprego aumentou e o patrimônio público foi dilapidado (claro, do ponto de vista do capital a fórmula pode funcionar, pelo menos durante um certo tempo). A população brasileira, inclusive tem memória relativamente recente desse tipo de política, dos governos FHC (1995/2002). Boa parte do patrimônio brasileiro foi dilapido, através da queima de estatais a preço de banana, e a vida dos trabalhadores piorou muito com queda da renda e elevação dramática da taxa de desemprego. O que dizer da fórmula ultra neoliberal que o fundamentalista Paulo Guedes está implantando no Brasil, que pretende, por exemplo, vender todas as estatais brasileiras?

O ultra neoliberalismo de Guedes vai dar completamente errado, do ponto de vista dos interesses brasileiros, como se pode prever facilmente. Dentre outras razões porque o governo não tem proposta para nenhum dos grandes problemas nacionais. O “programa” de governo de Guedes é vender o patrimônio do país e destruir as estruturas de atendimento à população, como está empenhado em fazer com a Seguridade Social. Acredita que destruindo essas estruturas, fruto de décadas de luta dos trabalhadores, o crescimento irá retomar no país. Se der errado, não há problema, coloca-se a culpe nas “corporações” e no “populismo” do Congresso Nacional. Parece uma brincadeira. O problema é que Paulo Guedes não é chefe de um laboratório de testes econômicos, e sim ministro do Brasil, a oitava economia e uma das maiores populações do mundo. Se aguardamos que o projeto de Paulo Guedes fracasse – e é certo que acontecerá – o Brasil pode implodir social e economicamente.

A luta contra o governo Bolsonaro está nas ruas e é muito vigorosa, como no 15 de maio, quando presenciamos as manifestações mais massivas ocorridas no país, no mínimo desde 2014. A solução para os problemas da economia e da sociedade, como já aconteceu em outros momentos da história do Brasil, parece estar nas ruas, ou seja, no fortalecimento do movimento dos trabalhadores e da juventude contra a política de destruição do país que este governo está encaminhando.

Metade das mulheres grávidas são demitidas na volta da licença-maternidade

Muitas se deparam com demissão e dificuldade em voltar para o mercado. Empregadores focam nas perdas que terão com as futuras mães

A maternidade permanece polêmica para empregadas e empregadores. Quando uma trabalhadora engravida, o foco das empresas continua sendo nas “perdas” que terá nos próximos anos. O tempo passa, mas os empecilhos são os mesmos: receio de a mãe faltar ao trabalho, caso o filho passe mal; de ela pedir para chegar mais tarde para ir a uma reunião escolar; ou de se atrasar, devido à exaustão da rotina. Os benefícios da maternidade para as empresas e até para a economia do país, mesmo comprovados por diversos estudos, ainda são ignorados.

Na contramão do senso comum, especialistas apontam que as mães são mais produtivas e flexíveis, porque as atividades neurais, ligadas à criatividade, aumentam durante a gestação. Além disso, o hábito de acumular duplas jornadas as deixam com maior capacidade de otimizar o tempo — tornam a vida das mulheres mais fácil no mercado de trabalho. Ainda assim, persiste o pensamento de que o empregador não suportará o tempo de afastamento, sem preencher aquela necessária vaga. Fora isso, há o temor de que o período em que fica com a criança a deixará desatualizada em relação à tecnologia, que avança rápido.

Esse pensamento leva, quase sempre, a uma realidade cruel. Estudo da Fundação Getulio Vargas (FGV) aponta que metade das mães que trabalham são demitidas até dois anos depois que acaba a licença, devido à mentalidade de que os cuidados com os filhos são praticamente uma exclusividade delas. Grasiela Maria de Araújo, 36 anos, foi demitida logo depois de ter o terceiro filho, em 2013. “Tirei a licença e mais um mês de férias. Ao voltar, fui desligada”, conta.

Mas não esmoreceu. Fez bicos enquanto esperava emprego de carteira assinada, que só veio dois anos depois. Grasiela entrou para o mercado de trabalho aos 18 anos, como atendente em uma lanchonete. Hoje, tem um filho de 18 anos e outros dois, de 15 e seis, de uma união estável que já dura 17 anos. “A gente ouve o tempo todo que mãe não trabalha, faz corpo mole. É difícil. Já perdi emprego porque de cara disseram que eu não estaria disponível para viajar”, assinala.

Pesquisa dos profissionais da Catho de 2018, com mais de 2,3 mil mães, afirma que 30% das mulheres deixam o trabalho para cuidar dos filhos. Entre os homens, esse número é quatro vezes menor: 7%. Claudia Santos, 38, preferiu pedir as contas antes de ser demitida. Nascida em Belém, ela começou a trabalhar aos 14 anos, vendendo salgados nas ruas, e, aos 17, foi contratada por um restaurante. Engravidou em seguida e não aguentou o calor do fogão. “Deixei o emprego antes de ser demitida. Ouvia o chefe dizendo que mulher grávida é problema porque falta ao serviço e aumenta o custo por causa do salário-família”, lembra. Ela só conseguiu voltar a trabalhar fora depois de dois anos.

De volta à ativa

Dani Junco, fundadora e diretora executiva (CEO) da B2Mamy, aponta que, a cada 10 mulheres, quatro não conseguem retornar ao mercado após a licença-maternidade, de acordo com a consultoria Robert Half. “Percebo que é uma questão cultural. Em minha experiência, senti que as pessoas achavam estranho quando eu deixava meus filhos na escola o dia inteiro”, relata Claudia Consalter, mãe de gêmeos e fundadora da Orthodontic, rede de clínicas de ortodontia.

A tributarista Rhuana Rodrigues, 38, sócia do Chenut, Oliveira, Santiago Advogados, acredita que o peso maior da responsabilidade com os filhos sempre recai sobre a mãe. “Mas costumo dizer que meu marido me ajuda, ele compartilha o cuidado com as crianças, que também cabe a ele”, argumenta. Casada desde 2006, ela teve o primeiro filho, de quatro anos, aos 33 anos. O segundo é recente: está com apenas três meses.

“Especialmente comigo, não houve discriminação, porque sou dona do meu negócio e diretora de Recursos Humanos do escritório. Mas ouço histórias terríveis”, conta.

Durante o tempo da licença-maternidade, Rhuana aproveitou que o “bebê dormia o dia inteiro”, para concluir a monografia de pós-graduação em direito digital.

A lei e a vida real

Assegurada por lei desde 1943, a licença-maternidade atendeu mais de 53 mil brasileiras em 2018, pelos dados da Secretaria Especial de Previdência e Trabalho do Ministério da Economia. “Atualmente, o empregador é obrigado a conceder 120 dias, mas é possível estender até 180 para os que aderirem ao programa Empresa Cidadã, que gera benefícios fiscais para os contratantes”, conta o advogado João Badari, especialista em direito previdenciário do escritório Aith, Badari e Luchin Advogados.

Mesmo com o direito garantido no papel, a lei, às vezes, é ignorada. Raramente as mães contam com a ajuda de que precisam depois da gravidez. Mesmo assim, muitas narram histórias de sucesso. Maire Laide Albernaz Neiva, 62, administra um restaurante com 20 funcionários, depois de criar três filhas (43, 41 e 38 anos). “Comecei cedo, aos 14 anos, em uma agência de automóveis. Aos 15, fui transferida para a área de cobrança. Cheguei a chefe do setor financeiro, aos 25”, relata.

As três filhas foram criadas, praticamente, dentro da concessionária. Os patrões montaram berço e a infraestrutura para as crianças. “Mas nunca tirei licença-maternidade. Voltava a trabalhar 15 dias após ter neném. Precisava do dinheiro e tinha a opção de ganhar dobrado”, afirma. Depois que os filhos cresceram, Maire entrou para a Faculdade de Moda e conseguiu o diploma, aos 50 anos. Uma vitória para quem tem uma mãe de 85 anos “que não sabe ler nem escrever”. “Hoje, minhas filhas têm vidas próprias. Mas ainda cuido de minha mãe e de uma sobrinha especial, de 45 anos”, destaca.

Não deixar de ter ambições próprias é uma das dicas que Luzia Costa, CEO do Grupo Cetro, dá para quem é mãe e quer iniciar a vida de empreendedora. Mãe de dois filhos, ela ressalta a importância de enfrentar julgamentos e aceitar ajuda.“Sem dúvidas, muitas pessoas irão lhe criticar por dedicar um tempo do seu dia para trabalho e vida profissional, deixando filhos com avós, babás, em escolinhas, entre outros. Mas precisamos realizar nossos sonhos, até mesmo para dar condições melhores para nossos filhos”, ensina.

 

Fonte: Correio Braziliense, 12 de maio de 2019

Dia das Mães foi um fiasco e setor de serviços desaba: economia marcha para a estagnação

Após o Banco Central admitir que existe uma “probabilidade relevante” da economia ter encolhido no primeiro trimestre, o que poderá colocar o país oficialmente na situação de uma recessão técnica (leia no Brasil 247), a queda de% no valor das vendas do Dia das Mães, segunda principal data do comércio varejista, aponta para um quadro de estagnação econômica resultante de uma falta de política que alavanque o ritmo da economia. Além deste fiasco para o varejo, o setor de serviços também encolheu 0,7%em março, na terceira queda consecutiva, acumulando uma retração de 1,7% nos três primeiros meses do ano.

 

Segundo a Associação Brasileira de Lojistas de Shopping (Alshop), os consumidores gastaram 5% menos que no mesmo período do ano passado, evitando fazer dívidas em carnês ou no cartão de crédito, apesar do aumento de 4% na vendas, ante a o Dia das Mães do ano passado. O ticket médio de um ano para o outro encolheu cerca de 10%. “Aquelas pessoas que já conseguiram melhorar o seu nível de endividamento não querem assumir novos riscos, logo, na compra de algum presente, procuraram aliar à sua disponibilidade de gasto menor”, disse o diretor institucional da Alshop, Luís Augusto Ildefonso da Silva ao portal G1

 

A tendência de retração também se estende a outros setores da economia. Segundo o IBGE, o volume do setor de serviços vem encolhendo desde o início do governo Jair Bolsonaro. A queda de 0,7% em março, elevou para 1,7% a retração acumulada do setor ao longo do primeiro trimestre. Na comparação com março de 2018, o tombo chegou a 2,3%.

 

Além disso, a receita nominal do setor de serviços caiu 0,6% na passagem de fevereiro para março, apesar de registrar alta de 1,1% na comparação sobre o mesmo mês do ano passado.

Fonte: Portal G1, 14 de maio de 2019

[ARTIGO]: Brasil, novamente, à beira da recessão

(Por João Borges, comentarista da GloboNews. Trabalhou em ‘O Estado de S. Paulo’, ‘O Globo’ e Banco Central) 

A divulgação nesta terça-feira (14) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) dos dados sobre o desempenho do setor de serviços, apontando queda de 0,7%, acentua o temor de que a economia brasileira encolheu nos três primeiros meses do ano. O PIB do primeiro trimestre será divulgado no dia 30 pelo IBGE. Entre bancos e consultorias econômicas, cresce o número daqueles que projetam resultado negativo.

 

A ata do Comitê de Política Monetária (Copom), divulgada também nesta terça, praticamente sanciona o que já vem sendo dito entre economistas do setor privado, ao que dizer que:

 

“Os indicadores disponíveis sugerem probabilidade relevante de que o Produto Interno Bruto (PIB) tenha recuado ligeiramente no primeiro trimestre do ano, na comparação com o trimestre anterior, após considerados os padrões sazonais”.

 

Não é ainda a recessão, porque, tecnicamente, o critério estabelecido é o de que uma recessão se caracteriza quando ocorrem dois trimestres consecutivos de queda na atividade econômica.

 

Os dados preliminares de abril e maio também indicam que a economia não reage. Outro resultado negativo não está descartado, mas não é a hipótese mais provável, segundo analistas consultados pelo blog.

 

O resultado do primeiro trimestre foi fortemente afetado pela indústria, que apresentou queda de 2,2% no trimestre. Parte disso se explica pelo efeito Brumadinho, com a paralisação da produção de minério de ferro da Vale por causa do desastre na barragem na cidade mineira.

 

Apenas em parte, porque a situação geral da indústria é crítica. E o setor de setor serviços acumulou queda de 1,7% no trimestre. N o varejo alta modesta, de apenas 0,3%.

 

A pesquisa Focus divulgada pelo Banco Central na segunda-feira (13) registrou a 11ª semana consecutiva de revisão para baixo, projetando crescimento de de 1,45% este ano. Será?

 

Alguns bancos já estão prevendo crescimento em torno de 1%, repetindo 2018 e 2017, anos em que a economia avançou apenas 1,1%.

 

Aqui cabe ressaltar um dado importante. Por causa do resultado em torno de zero por cento de janeiro a junho, para que a economia cresça 1% este ano será preciso que haja forte reação no segundo semestre, com crescimento acima de 0,5% a cada trimestre.

 

Para o governo, a mudança do cenário econômico depende da aprovação da reforma da Previdência e outras que estão na agenda do ministro da Economia, Paulo Guedes.

Informativo Buzinaço (Sind. Ferroviários Conselheiro Lafaiete/MG)

Confira aqui a última edição do informativo do Sindicato dos Ferroviários de Conselheiro Lafaiete, Minas Gerais.

BUZINAÇO abril 2019

[ARTIGO]: A Reforma da Previdência está sendo votada e quem perde é você!

O Governo Bolsonaro enviou ao Congresso uma proposta de Reforma da Previdência que é muito prejudicial aos segurados, sejam eles urbanos ou rurais, empregados ou empregadores ou profissionais liberais e aposentados ou não.


A proposta é tão ruim para o povo que o governo decretou sigilo sobre os estudos técnicos que a embasariam. Ou seja, os deputados terão que votar no escuro e sem saber os reais motivos. 

As notícias são de que o Governo Bolsonaro ofereceu R$ 40 milhões em emendas parlamentares para os deputados e deputadas federais aprovarem a ‘Reforma da Previdência’. A proposta já foi rapidamente votada e aprovada pela Comissão de Constituição e Justiça da Câmara dos Deputados. 48 votaram à favor, 18 votaram contra, mas ela ainda será votada pelo menos mais umas 5 vezes por comissões e por todo o Congresso até ser aprovada ou rejeitada.

SE APROVADA, A REFORMA DA PREVIDÊNCIA FARÁ COM QUE MUITOS BRASILEIROS TRABALHEM ATÉ MORRER E SEM SE APOSENTAR

A idade mínima para a aposentadoria iniciará com 65 anos para homens e 62 para mulheres, mas aumentará um ano a cada cinco anos aproximadamente. Portanto, em pouco tempo a idade mínima já será de 70 anos.

O projeto ainda diz que cada trabalhador(a) terá que contribuir por 40 anos para aposentar-se com a média salarial de 100% de suas contribuições. Ocorre que se você já tiver trabalhado 40 anos, mas não tiver a idade mínima não poderá se aposentar. Portanto, na prática muitos vão trabalhar por volta de 50 anos até se aposentar.

De outro lado, a proposta também prevê um tempo mínimo de 20 anos de contribuição. Isso quer dizer que quem completar a idade e tiver menos de 20 anos de contribuição não vai se aposentar.

O CÁLCULO DO VALOR DOS BENEFÍCIOS FICARÁ MUITO PIOR DO QUE É HOJE

A proposta do governo mexe na forma de calcular a média das contribuições e no percentual que o segurado vai receber. E isso se aplica não só às aposentadorias por idade e especial, mas também às pensões por morte, ao auxílios-doença etc.

Hoje os benefícios são calculados pela média das 80% maiores contribuições, ou seja, descarta as 20% menores contribuições. Isso é um pequeno alívio aos trabalhadores que têm contribuições irregulares ao longo de sua vida de trabalho.

O Governo quer passar o cálculo da média para 100% das contribuições, ou seja, não descarta nada. Só com esta medida todos os benefícios perderão valor que pode chegar a mais de 10% de diminuição.

Outra questão muito importante é o percentual que o trabalhador recebe da média de contribuições. Hoje nas aposentadorias especiais, por invalidez, de pessoa com deficiência, pensão por morte e até algumas aposentadorias por tempo de contribuição o segurado recebe 100% da média contributiva.

A proposta do governo é pagar apenas 60% da média para todo mundo que tiver até 20 anos de contribuição e pagar apenas mais 2% para cada ano que passar de 20 anos de contribuição.
No caso da pensão por morte o cálculo é muito pior, pois o valor começa com apenas 60% do valor da aposentadoria. Portanto, em alguns casos, o valor corresponderá a 60% de 60%. Pra você entender bem: tem casos em que a aposentadoria será 60% da média contributiva e a pensão será 60% desta aposentadoria. Isso vai representar uma diminuição de quase 2/3 em relação ao valor de como a lei prevê atualmente.


Veja neste exemplo prático de cálculo o tamanho das perdas

Um segurado que contribuiu os últimos 20 anos com 4 salários mínimos:
– Pela lei atual sua média contributiva será de R$ 3.279,15. Sua aposentadoria por invalidez será de R$ 3.279,15 e a pensão de seus dependentes será de R$ 3.279,15.
– Pela proposta do governo a média contributiva cai para R$ 3.052,26. A aposentadoria por invalidez cai para R$ 1.831,35 e a pensão de seus dependentes cai para R$ 1.098,81.

Este cálculo atinge empregados, empregadores e autônomos. Portanto, a proposta do governo vai empobrecer todos os segurados, além de fazer com que todos trabalhem muito mais tempo.

Outras questões muito graves estão previstas na reforma:

– Trabalhador rural ter que contribuir com carnê

– Não conversão do tempo especial para comum

– Fim do tempo especial para a exposição à periculosidade

– Fim da garantia de reajuste dos benefícios pela inflação

– Fim da garantia de um salário mínimo para as pensões

– Fim do abono do PIS e PASEP, que é o 14°, para quem recebe mais que um salário mínimo.

Outro absurdo sem precedente é a idade mínima para as aposentadorias especiais de 55 anos de idade para exposição de 15 anos insalubres, 58 anos de idade para exposição de 20 anos insalubres e 60 anos de idade para exposição de 25 anos insalubres. Mesmo que você tenha o tempo terá que esperar a idade mínima.

O GOVERNO DIZ QUE A REFORMA É PARA ACABAR COM PRIVILÉGIOS, MAS ISSO É UMA GRANDE MENTIRA. QUEM MAIS VAI PERDER SÃO OS POBRES E A CLASSE MÉDIA.

 

Matusalém dos Santos

Matusalém & Castelan

ADVOGADOS ASSOCIADOS

Especializado em Direito Previdenciário