Projetos estimulam uso de ferrovias no país

A greve promovida por caminhoneiros, que paralisou o Brasil em maio de 2018, demonstrou a enorme dependência do país em relação ao modal rodoviário no transporte de cargas. O cenário atual indica a necessidade evidente de um sistema ferroviário mais eficaz e evoluído.

Com a crescente demanda para uma transformação na logística e no transporte de cargas, surgem novos projetos e iniciativas que propõem contribuir para o desenvolvimento do modal por trilhos.

Um centro logístico predominantemente ferroviário, previsto para ser implantado no entorno da antiga estação Campo Grande, em Santo André (SP), vai oferecer apoio para superar os gargalos da ferrovia para os trens de carga que descem e sobem do Porto de Santos, o maior da América Latina.

Situado logo após Rio Grande da Serra, e no mesmo distrito de uma grande indústria, próximo do futuro Parque Tecnológico de Santo André, o local do projeto envolve o pátio de manobras ferroviário Campo Grande.

É um investimento totalmente privado, estimado em R$ 780 milhões para as três fases do projeto, que prevê um acréscimo na receita do município de Santo André de R$ 35 milhões anuais e geração de aproximadamente 1.200 vagas de empregos em diferentes áreas – com programas de capacitação – que serão oferecidas prioritariamente à população dos bairros vizinhos.

O Centro Logístico Campo Grande (CLCG) é caracterizado como Plataforma Logística Periférica, conforme o planejamento de logística e transporte do Governo do Estado de São Paulo. O projeto será implantado na forma de um condomínio logístico com atividades de triagem e formação de trens, transbordo e armazenagem de cargas para apoiar a infraestrutura ferroviária.

Haverá investimentos na instalação de pátios e galpões, construção de ramais e desvios ferroviários, além de vias para circulação interna e de melhorias para conexão com o sistema viário externo.

Segundo a Agência Nacional de Transportes Terrestres, um trem composto por 100 vagões pode substitui 357 caminhões nas estradas. Portanto, por atender às necessidades do transporte de cargas nessa ferrovia, o Centro Logístico Campo Grande vai contribuir para adiar ou até evitar a duplicação de rodovias de acesso à baixada santista.

“O projeto é pautado no desenvolvimento sustentável e visa à valorização e incremento do modal ferroviário, mais econômico, seguro, eficiente e menos poluente”, afirma Jael Rawet, empresário do setor imobiliário e idealizador do empreendimento.

O projeto com as três fases será implantado em 20% da área de uma propriedade particular com 469 hectares. Os 80% restantes serão transformados em Reserva Florestal, o que vai dotar o município de uma nova área de conservação equivalente em tamanho à REBIO (Reserva Biológica do Alto da Serra).

A criação da Reserva Florestal, passo que antecede a implantação do projeto propriamente dito, se caracteriza pelo monitoramento permanente e enriquecimento da fauna e da flora, planos de manejo, além da proteção de todas as nascentes existentes no local.

 

Fonte: Terra.com.br, 16 de setembro de 2019